Ando bastante cansado e sem muita inspiração para escrever, mas a postagem a seguir é praticamente obrigatória, e antes que ela se torne saudosista, ao deleite do som de Silverchair como "backsound", lá vai ...
Como nem tudo na vida são flores e nem neste blog deve ser, sem ter a vergonha de publicar minha maior "gafe" jornalística de todos os tempos e de toda minha carreira, descrevo a grande merda reportada há exatamente uma semana, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado de São Paulo, aos vinte e sete dias do mês de março de 2008, por volta das 17h (minuciosamente registrado para não ser esquecido), onde acontecia a posse da Dra. Linamara Batisttella à Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Aos "45 do segundo tempo" fui convocado pela minha direção de Tv a cobrir o evento e produzir uma matéria com a reportagem da posse. Desnorteado com a convocação de última hora, "P" da vida com a notícia atribuída e a que fui delegado, pois odeio cobrir eventos e fatos políticos, me mandei para o Palácio para ver no que ia dar e cumprir minha obrigação.
Bom, vamos aos fatos... algumas autoridades presentes, em meio a muita gente e muita confusão, consegui uma entrevista EXCLUSIVA com nosso chefe de Estado, o governador José Serra (há privilégios que só uma cadeira de rodas é capaz de proporcionar e não me nego a aproveitar), foi aí que a cagada estava estabelecida.
Como de praxe, me apresentei, apresentei meu veículo e canal de comunicação, expressei minha pretensão, recebi o alvará verbal de entrevista e pronto, mandei a primeira pergunta:
- Governador, realmente a indicada à posse da secretaria é a melhor indicação? Por quê ?
Categoricamente ele respondeu que sim, explicou a indicação, com palavras provou o gabarito da secretária e por fim ainda deu algumas menções do que ela poderia exercer. Esperei-o concluir gesticulando positivamente com a cabeça. Minha mente já trabalhava para a próxima pergunta. Pronto, lá estava eu de novo cara a cara com o Bart e estupidamente, foi:
- Governador, a Dra. Linamara dará continuidade aos projetos da gestão anterior?
Um silêncio permaneceu por alguns instantes e ele, apático, respondeu:
- Como assim? Que gestão anterior?
Naquele momento eu percebi que alguma merda eu tinha feito, subiu um calor de 40° dos pés à cabeça. Não sabia onde me esconder, onde enfiar a cara, mas sem perder a pose e com a certa convicção que todo repórter deve ter, retruquei:
- Como assim o quê? Como assim, como assim? Da gestão anterior ué, da Mara, darão seqüência aos antigos projetos?
Eis que aí, mediante tamanha orelhada do repórter, sem me destratar, ele respondeu:
- Mas não existe gestão anterior...esta secretaria acaba de ser criada!
E eu...
- Ah, tudo bem então, obrigado, era isto que eu queria, estou satisfeito com sua entrevista, obrigado.
Caraaaaaaaaaaaca, o que é que é isso? O que é que eu fiz?
Minha nossa, nunca havia falado uma merda tão grande em toda minha vida! Merda não, aquilo mais parecia uma bomba atômica feita de cocô desovado após 15 dias de obstipação.
Tudo bem que estes caras todo dia criam uma nova secretaria, um novo cargo, um novo ministério e blá-blá-blá. Todos como estes títulos enormes, quase todos iguais e que não servem para nada, mas até aí, eu falar uma bobagem deste tamanho já é outra história, no mínimo eu deveria ter lido melhor o release de imprensa e prestado mais atenção no trabalho a desenvolver, porém também confesso que é um saco e bastante difícil você fazer o que não gosta, o que não está predisposto.
Confesso que ainda não superei o trauma e minha memória neste momento é minha pior inimiga, mas nada melhor que o bom e velho tempo...
Bom, além de acreditar no meu aliado tempo, o que me conforta é o atenuante de que sou ser humano e essa é só a primeira em mais de cinco anos na profissão!
Elbert Hubbard, já dizia:
"Para evitar críticas, não faça nada, não diga nada, não seja nada."
Cheers!
Como nem tudo na vida são flores e nem neste blog deve ser, sem ter a vergonha de publicar minha maior "gafe" jornalística de todos os tempos e de toda minha carreira, descrevo a grande merda reportada há exatamente uma semana, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado de São Paulo, aos vinte e sete dias do mês de março de 2008, por volta das 17h (minuciosamente registrado para não ser esquecido), onde acontecia a posse da Dra. Linamara Batisttella à Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Aos "45 do segundo tempo" fui convocado pela minha direção de Tv a cobrir o evento e produzir uma matéria com a reportagem da posse. Desnorteado com a convocação de última hora, "P" da vida com a notícia atribuída e a que fui delegado, pois odeio cobrir eventos e fatos políticos, me mandei para o Palácio para ver no que ia dar e cumprir minha obrigação.
Bom, vamos aos fatos... algumas autoridades presentes, em meio a muita gente e muita confusão, consegui uma entrevista EXCLUSIVA com nosso chefe de Estado, o governador José Serra (há privilégios que só uma cadeira de rodas é capaz de proporcionar e não me nego a aproveitar), foi aí que a cagada estava estabelecida.
Como de praxe, me apresentei, apresentei meu veículo e canal de comunicação, expressei minha pretensão, recebi o alvará verbal de entrevista e pronto, mandei a primeira pergunta:
- Governador, realmente a indicada à posse da secretaria é a melhor indicação? Por quê ?
Categoricamente ele respondeu que sim, explicou a indicação, com palavras provou o gabarito da secretária e por fim ainda deu algumas menções do que ela poderia exercer. Esperei-o concluir gesticulando positivamente com a cabeça. Minha mente já trabalhava para a próxima pergunta. Pronto, lá estava eu de novo cara a cara com o Bart e estupidamente, foi:
- Governador, a Dra. Linamara dará continuidade aos projetos da gestão anterior?
Um silêncio permaneceu por alguns instantes e ele, apático, respondeu:
- Como assim? Que gestão anterior?
Naquele momento eu percebi que alguma merda eu tinha feito, subiu um calor de 40° dos pés à cabeça. Não sabia onde me esconder, onde enfiar a cara, mas sem perder a pose e com a certa convicção que todo repórter deve ter, retruquei:
- Como assim o quê? Como assim, como assim? Da gestão anterior ué, da Mara, darão seqüência aos antigos projetos?
Eis que aí, mediante tamanha orelhada do repórter, sem me destratar, ele respondeu:
- Mas não existe gestão anterior...esta secretaria acaba de ser criada!
E eu...
- Ah, tudo bem então, obrigado, era isto que eu queria, estou satisfeito com sua entrevista, obrigado.
Caraaaaaaaaaaaca, o que é que é isso? O que é que eu fiz?
Minha nossa, nunca havia falado uma merda tão grande em toda minha vida! Merda não, aquilo mais parecia uma bomba atômica feita de cocô desovado após 15 dias de obstipação.
Tudo bem que estes caras todo dia criam uma nova secretaria, um novo cargo, um novo ministério e blá-blá-blá. Todos como estes títulos enormes, quase todos iguais e que não servem para nada, mas até aí, eu falar uma bobagem deste tamanho já é outra história, no mínimo eu deveria ter lido melhor o release de imprensa e prestado mais atenção no trabalho a desenvolver, porém também confesso que é um saco e bastante difícil você fazer o que não gosta, o que não está predisposto.
Confesso que ainda não superei o trauma e minha memória neste momento é minha pior inimiga, mas nada melhor que o bom e velho tempo...
Bom, além de acreditar no meu aliado tempo, o que me conforta é o atenuante de que sou ser humano e essa é só a primeira em mais de cinco anos na profissão!
Elbert Hubbard, já dizia:
"Para evitar críticas, não faça nada, não diga nada, não seja nada."
Cheers!
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